As nossas criançasE as crianças do meu chão?
Não só aquelas que viste
Bem vestidas
Bem perfiladas
A cantarem com vozes cheias de esperança
O hino da nossa nação.
Mas crianças sem roupa
Crianças deformadas pela subalimentação
Crianças que não têm brinquedos
Mas têm estômagos intumescidos
Habitados por vermes.
Crianças que parecem crianças-baloes.
Mas são crianças solenes
A falar do nosso chão
Da nossa luta, dos seus sonhos.
Vimos fotografias das crianças da terra dos brancos.
Parecem felizes
E não tem barrigas grandes
Por quê?
E, contudo,
Crianças que continuam crianças
A razão da nossa luta,
O futuro do nosso país.


